Pobre Michael!... Morto há tão pouco tempo e já com tantos motivos pra levantar da cova e vir puxar o pé da galera à noite. O primeiro da fila é o Lindolfo Pires, com essa versão medonha que vocês já devem ter visto:
Mas o horário político deste ano realmente está batendo todos os recordes. E não é que surgiu mais um? Atenção para a letra!:
Está lançado o desafio: alguém se arrisca a concorrer com os dois na corrida pelo jingle imbatível das eleições 2010?
Confesso estar fazendo um esforço pra evitar que o tema "eleições" venha parar nesse blog. Além de existirem outros blogueiros fazendo boa cobertura, como a Raquel Camargo, tenho assistido a capítulos tão desanimadores e anti-democráticos, que acabo ficando muito puta e isso certamente aquece meu texto e acende polêmicas e brigas que eu não ando muito afim de comprar. Mas, como a internet é sempre uma caixa de surpresas, e como algumas delas são irresistíveis, eu acabei me deparando com isto:
Se você está vendo pela primeira vez e ficou chocado, fique tranquilo: você não é o único. Aliás, essa me pegou tão em cheio, que eu acabei me rendendo, e cá estou eu falando do tema que tanto evitei.
Passei uns bons dias bem indignada com os debates no Jornal Nacional com os candidatos à presidência. Pra falar a verdade, eu não esperava grandes coisas, porque o jornalismo da Globo anda de mau a pior, sempre superficial, sempre previsível e sempre mostrando a todos nós o que é ser totalmente parcial. Sim, eu sei que não é possível a tal da neutralidade. Mas, convenhamos, é bem fácil achar o meio termo. Entre o neutro e o escrachadamente partidário existe um bom caminho a ser percorrido e explorado. E, no entanto, só faltou o titioBonner pendurar um cartaz no pescoço com os dizeres: Eu voto no Serra e quero que você vote também! Feio, muito feio. Principalmente depois daquele fatídico episódio do debate entre o Collor e o Lula. Pode soar muito inocente da minha parte, mas eu jurava que eles tinham aprendido a lição. E, poxa vida, eu não tenho o direito de tirar as minhas próprias conclusões e decidir em quem eu quero votar?
Voltemos ao vídeo: é pra rir? Acho que, em parte, é. Afinal, pra um programa humorístico clássico não faltou muita coisa. Mas depois de tanto riso é que veio o incômodo: era pra ser engraçado? Dizem que o riso é o reconhecimento do que existe de ridículo em nós mesmos. Pode ser. E, nesse caso, rir desses caras é permitir que a gente continue sendo chamado de bobos, e engrossar o coro dos que diariamente já nos chamam assim em Brasília, ou em qualquer canto desse pais, a cada vez que viajam com a nossa grana, desviam os nossos impostos, enfiam dinheiro na cueca.
Bom, minha mente de publicitária rapidamente ficou pensando sobre a forma com que essas figuras escolhem "vender" a própria imagem. Caí em uma máxima que sempre que posso repito aos meus clientes: se você mesmo não sabe o que você preza, quer e vende, como você espera que seus clientes o façam? Assistindo a um vídeo desses, a única conclusão a que chego é que a política virou carreira de gente sem grandes perspectivas. Observe que boa parte dos candidatos aparecem com "cabos" eleitorais: entram mudos, saem calados, e esperam se eleger alavancados pela fama do parente. Patético é um bom nome?
E será mesmo que o Tiririca está certo ao dizer que pior do que está não vai ficar?... Será que não? Tenho sérias dúvidas. Mas, muito além delas, de uma coisa estou muito certa: definitivamente, não quero essas pessoas me representando! Elas não estão minimamente à altura da política que gostaria para o meu país. Mulher Pêra??? Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto!
"Você tem que amar a dança para persistir nela. Ela não te dá nada em troca, nenhuma pintura para mostrar nas paredes e talvez pendurar em um museu, nenhum poema para ser impresso e vendido, nada além do momento fugaz único em que você está vivo. Ela não é para almas instáveis." Merce Cunningham
15 de Junho. Hoje o dia amanheceu diferente. O país continental, que tranquilamente podia ser vários - e as vezes o é - mostrou que responde pelo mesmo nome. E os relógios andaram em um ritmo diferente: não importava que horas era, mas quanto tempo faltava. E as peças verdes e amarelas saíram dos armários: uma tiara, um relógio, uma meia, um colar, um sapato ou a famosa camisa. Até lentes de contato com a bandeira do Brasil eu vi. E nesse mar de cores que todos sabiam reconhecer e ler, tudo se tornou oficial. Não havia uniformes mais ou menos dignos: hoje nós éramos simplesmente brasileiros. E assim passou o ciclista, e ele era verde-amarelo. E passou o médico, com a amarelinha sob o jaleco. E passou o empresário. E passou o vigia de carro. E passaram crianças. E passaram mulheres, homens, idosos, bebês, cachorros. E o verde e amarelo combinou com todas as cores. E não importava o carro. E não importava a profissão: todos sabíamos para onde estávamos indo e o que estava para acontecer. E os pontos de ônibus lotaram. E o trânsito se encheu de um engarrafamento esperto, de quem tem urgência de chegar.
Hoje, a palavra "vuvuzela" deixou de ser estranha: ela estava na mão e na garganta de todos, ajudando a conjugar um verbo que o brasileiro nasceu sabendo: torcer. E todos se tornaram amigos. E o motorista de ônibus topou parar fora do ponto. E o síndico trocou o bilhete mal humorado no elevador do prédio por um convite para ver o jogo. E, assim, o país das desigualdades foi um, ainda que apenas por algumas horas. E o mundo, que hoje à tarde se chamou Brasil, parou para ver a Seleção jogar. E eu me emocionei. Foi bonito de ver e sentir.
No Brasil são fartos os exemplos das campanhas publicitárias tiradas do ar... Tudo o que soa agressivo, polêmico ou provocativo demais pode estar sujeito a reclamações e às intervenções do CONAR, que regulamenta a atividadepublicitária no país. Legítimo? Parece que sim. Afinal, a população tem o direito de se manifestar. O que às vezes eu me pergunto, é se a "polidez" ou essa fragilidade do brasileiro em relação a polêmicas (e, em grande parte das vezes, isso significa não estar muito disposto a discutir o que realmente importa) não nos atrapalha.
Essa semana me chegou por e-mail um vídeo madein Inglaterra: trata-se de uma campanha sobre os efeitos do álcool e das drogas na vida de todo mundo. O vídeo é pesado? Sim. Mas resolveu o problema: depois dele, foi observada uma mudança de atitude em 40% da população inglesa, com queda do número de acidentes e do uso de entorpecentes. Em se tratando de assuntos como esse, que interferem diretamente no bem-estar de todos, o poder de resolutividade de uma ação não deveria ficar em primeiro plano?
Somos muito polidos, mas estamos sempre afogados em problemas... E, se a nossa justiça e políticas públicas já não ajudam muito, que mal faria um "knockout" esporadicamente aplicado por campanhas publicitárias?
Quase 500 milhões de usuários ativos e uma polêmica: a política de privacidade do Facebook é falha? Hoje, saída de Toronto, no Canadá, entrou no ar a campanha "QuitFacebook", em protesto ao modo com que o site lida com as informações pessoais dos usuários. Com a aderência de pouco mais de 32 mil pessoas, o movimento parece não ter tido a repercussão esperada, pelo menos por enquanto. Sob os rumores da insatisfação pelo fato de informações de caráter pessoal estarem sendo compartilhadas na internet, o CEO do Facebook, Mark Zuckerber, anunciou a revisão das ferramentas de privacidade.
Em um vídeo publicado pela Euronews (que você pode ver aqui), JoesphDee, um dos fundadores do movimento, fala do direito de escolha das pessoas de onde querem ou não estar na internet. OK. Temos esse direito. Mas, será ele uma possibilidade real? Será mesmo que, no Facebook ou não, temos podido exercer essa nossa liberdade de escolha? O que é preencher um cadastro na internet? O que são as informações disponíveis na nuvem? E quanto você abre seu gmail e existem inúmeras publicidades no lado direito do seu monitor que te parecem demasiadamente oportunas e perfeitamente casadas com as suas necessidades do momento? Isso não seria também uma mega invasão de privacidade?
Para alguns autores de gestão e marketing, como SethGodin, a internet deveria ser usada em um caminho inverso, como um espaço para se fazer marketing direto, desenvolvido a partir de base de dados opt-in. No entanto, o que temos visto e vivido?
Não acredito, particularmente, em bases opt-in construídas a partir de afirmações escritas em letras microscópicas, perdidas em meio aos contratos de utilização do que está na internet. Opt-in implica, portanto, o direito de fazer uma escolha a partir de informações que te dêem alguma condição de optar. Transparência e clareza são, a meu ver, a melhor estratégia. É mais inteligente por dois motivos: 1- o consumidor não fica puto; 2- é possível trazer as pessoas que estão realmente interessadas em ouvir o que você tem a dizer.
Claro que em um caso como o Facebook estamos falando de uma escala muito maior, da ordem de centenas de milhões de pessoas. Tudo bem. Ainda assim, acho que vale ser claro e direto. E, se esse protesto vai vingar, eu não sei... Só acho que a discussão sobre a privacidade na internet tem mesmo que entrar em pauta e que o buraco é um pouco mais fundo do que possa sugerir o "QuitFacebookDay".
A seguir, vídeo em que se discute a política de privacidade do Face:
Penso no eco como a possibilidade de distender um instante e, ao fazê-lo durar, permitir que possamos pensá-lo. Mais que respostas certas ou erradas, verdadeiras ou falsas, relevantes ou não, a vida nos cobra POSIÇÕES. Sejam bem vindos!