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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

DE MALAS PRONTAS

O que há do outro lado? É possível atravessar?...
Embora de formas diferentes, essas perguntas habitavam a mente de grande parte dos que viviam naquele pequeno povoado chamado “Nosso lugar”, localizado na fronteira do “País de origem”. Pode ser que algumas pessoas tenham deixado as perguntas guardadas - por preferência ou desconhecimento - em gavetas nunca abertas. Ou, ainda, que elas tenham sido adormecidas por circunstâncias diversas, até que fosse possível retomá-las e despertá-las. Mas, ainda assim, o importante é que, em algum momento, essas duas questões nasceram e deixaram suas marcas na vida de cada um daquele povoado.
Um pequeno grupo de jovens amigos, no entanto, preferia cultivar essas perguntas a cada encontro, sempre nas melhores hortas da imaginação de cada um. Respeito, Coragem, Medo, Acerto, Erro e Gentileza se conheceram na escola, ainda na infância. Eram um sexteto inseparável. As famílias sempre foram amigas e, essa proximidade, fez com que os laços de afeição surgissem entre os filhos de maneira espontânea e genuína.
Certo dia, o sonho compartilhado pelos seis, e alimentado por aquelas duas perguntas de que já falamos, se tornou irresistível. O ponta-pé de que os amigos precisavam foi dado em uma tarde de domingo, em que eles andavam pela região que separava “ País de Origem” de “Próxima Nação”. Uma ponte longa e fina, feita de madeira e corda, dividia e unia os dois lugares. Embaixo dela, um grande vale.
Não havia qualquer barreira impedindo a passagem e a travessia. Só uma pequena e velha placa onde se lia em tinta gasta “Cuidado. Perigo.” Apesar da falta de impedimento, ninguém se arriscava. A área estava sempre deserta e talvez isso conferisse a ela ares melancólicos ou mais ameaçadores do que de fato possuía. Era estranho pensar na falta de uso da ponte. Afinal, se ela havia sido construída, alguém já tinha compartilhado daquele mesmo sonho de atravessar. Alguém já tinha feito aquilo antes. A ponte não estava ali por acaso.
Talvez tenha sido esse o raciocínio que fez os seis amigos decidirem pela tentativa de chegar ao outro lado. Precisaram de algum tempo pra se preparar: essa etapa durou três meses e foi feita em silêncio. No dia da partida, cada família recebeu apenas um pequeno, mas completo bilhete: “Fui buscar o meu sonho. Amo vocês!”
Na hora marcada lá estavam eles, os seis, diante da pequena entrada da ponte. Eles sabiam que não seria simples atravessar. Temiam que a velha estrutura de madeira não aguentasse. Traziam mochilas pesadas, com corda, roupas, comida. Não sabiam ao certo do que precisariam e nem quanto tempo levariam para cruzar aquele longo caminho e explorar a “Próxima Nação”.
- Como faremos? Quem vai primeiro? – perguntou Gentileza.
- Eu vou! - Respondeu Coragem. - Não é tão difícil assim…
- Tem certeza? Da última vez que você disse isso voltou pra casa com o braço quebrado! – A memória de Erro chegava a ser desagradável, de tão pontual e infalível. Às vezes irritava a insistência que ele tinha em lembrar.
- Tenho. – Retrucou Coragem, sem se abater pelas lembranças do amigo.
E assim foi ela, uma adolescente jovem e corpulenta, vistosa, com os cabelos lisos e claros que escorriam pelas costas até a cintura. Era dona de uma pele morena-avermelhada e de um sorriso largo e alinhado.
Coragem segurou as cordas que formavam uma espécie de corrimão ao longo da estreita ponte e, ágil e ávida por se aventurar, como era, se pôs a caminhar. Rápido demais. As cordas entrelaçadas na madeira fixavam o material, mas não deixavam a estrutura rígida o suficiente.
Era preciso força e cautela para manter o equilíbrio. Coragem se desequilibrou e por pouco não caiu. Voltou ao encontro dos amigos na entrada na ponte, sob as já esperadas gozações de Erro:
- Eu sabia que não ia dar certo!
- Por que não vai você então? Vá na frente e nos mostre como é! – Desafiou Coragem, enquanto Erro ria, sentado no chão.
- Medo?! Você acha que pode tentar agora? – perguntou Gentileza
- Não vou conseguir – respondeu Medo em completo pânico.
- Eu quero tentar de novo! – Disse Coragem. – Mas preciso de alguns minutos pra me recuperar do susto. Medo, não caminhe tão rápido como eu fiz. Vá! Você consegue!
Medo se dirigiu à entrada da ponte. Era visível o esforço que ele estava fazendo para estar ali. Mas era um sonho. Ele precisava tentar.
Medo era um menino tímido e cabisbaixo. Falava pouco, nunca se metia em discussões ou disputas na escola. Alguns o tratavam como uma pessoa covarde. Não era. Ele apenas ainda não tinha descoberto do que era capaz.
Medo se posicionou na frente da ponte, agarrando firme as cordas dos dois lados. Também tinha uma corda amarrada na cintura e em poder dos amigos Gentileza e Respeito, para caso ele precisasse. Mas Medo não saiu do lugar, simplesmente porque não conseguia olhar pra frente.
- Medo, você sabe que pode atravessar. Basta olhar pra frente e ir devagar, no seu tempo. – Incentivou Acerto.
- Não, eu não posso. Não sou bom nessas coisas. Vocês sabem… Desculpem, mas eu não posso. Vocês podem prosseguir sem mim.
E ele voltou. Momentaneamente derrotado pela força enorme de uma palavra tão pequena: “não”.
- Quem vai tentar agora? – Perguntou Gentileza.
Foi então que Respeito, que até então ouvia e observava tudo em silêncio, resolveu se manifestar. Ele era um homem simples, pacífico, cativante. Sempre com um sorriso no rosto, era impossível não gostar dele.
- Acho que precisamos rever a nossa estratégia!
- Acha que devemos desistir? - Indagou Acerto completamente desapontado. Ele ainda não tinha tido a própria tentativa. Queria fazê-lo! Queria atravessar!
- Não estou falando em desistir, mas acho que, desse jeito, estamos perdendo o nosso propósito.
- Você pode explicar um pouco melhor? – pediu Gentileza
- A ideia não era fazermos isso juntos? Esse não é um sonho de um, mas de seis. De que adianta chegarmos ao outro lado se alguém de nós ficar pra trás?
Os seis amigos se entreolharam e isso bastou para reconhecerem que alguma peça estava fora do lugar. E eles sabiam o que era:
- E se atravessarmos todos ao mesmo tempo? – Eles disseram quase que em uníssono, com os olhos se iluminando, como quem faz uma descoberta.
- Isso! – Exclamou Respeito afirmativamente. - Alguém tem alguma sugestão sobre como fazer?
- Pelas nossas experiências anteriores, sugiro que o Respeito vá na frente, abrindo caminho. – Sugeriu Acerto. – Todos concordam?
- Eu posso vir em seguida, de mãos dadas com o medo. – Disse Coragem.
- Eu concordo – Respondeu Medo.
- Erro?! – Chamou o Acerto. – Você acha que consegue me carregar nas costas? Assim podemos garantir uma visão geral do grupo e antecipar possíveis problemas.
- Perfeitamente. – Respondeu Erro.
- E, se vocês não se importarem, posso me revezar ocupando lugares variados entre vocês. Acerto, procure me abastecer de informações porque, assim, caso alguém precise de ajuda, eu estarei pronta a colaborar. – Pediu Gentileza.
E assim foram os seis. Respeito, Coragem, Medo, Erro, Acerto e Gentileza. Nos ombros do Erro, o Acerto ganhara um brilho novo. Ao contrário do Erro - uma figura forte e marcante - o Acerto era delicado e simples. Gostava de se planejar, era metódico, alegre. Andava sempre com o Erro, seu melhor amigo e, juntos, podiam exercitar a melhor versão de cada um. Gentileza era uma mulher rara: doce, amigável, esperançosa. Vendo assim, de longe, ninguém dava muito crédito a ela: magrinha e esguia, os amigos sempre brincavam que ela cabia em qualquer lugar. E acho que cabia mesmo!
Não podemos dizer que a travessia foi fácil. Não foi. Mas, juntos, eles conseguiram. E, só isso, já era muito. Também juntos eles puderam aprender a ler o “País de Origem” com novos olhos e descobrir que a “Próxima Nação” podia ser linda ou não: isso dependia mais deles próprios do que de qualquer outra pessoa. Lindo, mesmo, era o prazer de descobrir! E ele fez tudo valer a pena!
Criei essa pequena história, como uma metáfora para a minha viagem que, gentilmente, vocês se dispuseram a acompanhar. Com quantas pontes nos confrontamos ao longo da vida? São tantas, ? Às vezes as encaramos de forma tão complicada, quando tudo o que temos que fazer é atravessá-las, olhando pra frente e sempre buscando uma parceria entre o respeito, a coragem, o medo, o acerto, o erro e a gentileza. Talvez os seis não possam mesmo viver sozinhos. Coragem sem medo é inconsequência. Acerto sem erro é, provavelmente, estar sempre estagnado, repetindo as mesma coisas, sem poder ir pra frente e experimentar o delicioso sabor do que é novo. Viver e, principalmente, conviver, e não respeitar, é não ser capaz de se sensibilizar, de se emocionar, de se rever, de compartilhar. E a gentileza?... Tão simples, tão modesta, mas tão clara, tão generosa, tão maravilhosa…
Há dois meses, escrevi um post com o mesmo título que dei pra este: “De Malas Prontas”. Só que, agora, tenho uma bagagem mais pesada, não só de "bugigangas" (hehehehe), mas de tudo o que eu vi, senti, toquei, ouvi, aprendi. Por tudo isso, sou uma pessoa diferente também, modificada pela primeira tentativa bem sucedida de descobrir o que está do outro lado, além da velha ponte de madeira. Ponte que eu ainda quero atravessar muitas vezes.
A cada um dos que acompanharam essa minha pequena aventura, obrigada pelo carinho, interesse e disponibilidade. Que tal um comentário pra que eu possa guardar de lembrança?
Aos que estão no blog pela primeira vez, sejam bem vindos e voltem sempre!
Agora, meus amigos, tenho o prazer de dizer que estou voltando pra CASA!!!
Saudades, Brasil!!!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

INTERCÂMBIO VALE A PENA?

A viagem está chegando ao fim... Foram muitos passeios, muitas risadas, muito estudo, muito aprendizado e, finalmente, depois de mais de 60 dias fora de casa, podemos responder a pergunta mais importante: Intercâmbio vale a pena?
Seguramente, essa foi uma das melhores experiências da minha vida. Intercâmbio vale muito a pena e, não só é a maneira mais interessante e eficiente de aprender ou melhorar uma língua estrangeira, como uma oportunidade bacana de repensar algumas coisas, nos testarmos em novas situações, nos conhecermos melhor. Nos últimos posts, falamos sobre algumas dúvidas que povoam a cabeça e o coração do intercambista, e que podem ajudar quem pretende viajar. Claro, não há receitas nem respostas prontas pra nada. O seu caminho, na sua viagem, é você quem vai construir. No entanto, lembre-se sempre de que você é a visita. É você quem tem que se adaptar ao país, à família, à escola; e não o contrário. Use seu bom senso. Sempre. Tem certas coisas que não são regra, mas sinal de respeito.
Durante o tempo em que estou aqui, vi muitos jovens "em fuga", procurando no intercâmbio a oportunidade de fazerem o que quiser longe dos "olhos" dos pais: beber muito, namorar muito, sair todo dia, quebrar todas as regras. A minha opinião sobre isso - e não é lição de moral ou nada parecido, mas só uma opinião - é a de que, se você não tem liberdade no seu país, é porque você não sabe o que fazer com ela. Liberdade a gente conquista. E, quando a gente consegue, ela não dura apenas um intercâmbio. Mas, ainda assim, pra quem está em fuga - dos pais, de si, ou seja lá de quem for - vai um lembrete: você está vindo pra um país onde a lei existe. Se você quiser ser louco, ok. Mas não seja burro!
E aproveite. Curta cada segundo, porque é único, é maravilhoso, passa rápido e você vai querer voltar!... Como eu quero.

AOS QUE VIRÃO - PARTE 2

Hoje continuaremos a responder algumas perguntas que podem ajudar quem pretende fazer intercâmbio, principalmente se for aqui em Toronto. Se você está chegando agora no blog, já conversamos um pouco sobre isso em um post chamado "Aos que virão - parte 1". Algumas pessoas que também já moraram fora do Brasil deram suas contribuições comentando e falando de suas próprias experiências. Vale a pena conferir.

10 -Qual a melhor maneira de levar dinheiro pro exterior? Se você tiver dinheiro em mãos pra comprar dólares, você deve fazer um Visa Travel Money. O nome na verdade é "cash passport" e a Visa não me pagou pra eu fazer propaganda dela aqui...heheheh... Mas é a bandeira mais aceita aqui no Canadá e nos EUA. Por isso você deve optar por ela. Não é melhor levar um cartão de crédito internacional? Não, porque os impostos que você paga para utilizá-lo são maiores e você fica completamente vulnerável à flutuação do dólar. É interessante trazer um cartão de crédito mas deixá-lo reservado para emergências e para compras maiores, que você não queira pagar à vista. O Travel Money funciona como um cartão de débito em moeda estrangeira. Se você preferir, pode sacar dinheiro em qualquer caixa eletrônico que tenha a bandeira "Plus". Mas, se for fazer isso, não saque pequenas quantidades porque esse tipo de movimentação tem custo (ao redor de $2,00). Esse cartão é recarregável e você pode acompanhar suas transações pela internet. Onde faço o cartão? Em casas de câmbio. É interessante comprar dólares no mercado legal, porque você recebe nota de tudo o que está comprando e, caso a alfândega questione se você tem dinheiro pra entrar no país, basta apresentar esses recibos. Então, não saia do Brasil carregando tufos de dinheiro: é perigoso e desnecessário.

Uma coisa importante, é pesquisar bastante antes de comprar moeda estrangeira, porque há muita diferença de um lugar por outro. Às vezes os bancos oferecem preços menores, mas cobram algumas taxas de compra altas e estão menos propícios à negociação do que as casas de câmbio. E, se você está vindo pro Canadá, lembre-se de encomendar seu dinheiro com dois ou três dias de antecedência porque, geralmente, o dólar canadense não existe de pronta-entrega.

11-Como devo me deslocar em Toronto? O metrô é o melhor meio de transporte em Toronto e corta a cidade de norte a sul (linha amarela) e de leste a oeste (linha verde). Quando chegar, compre um "metropass" imediatamente. O custo é de $99,00 para estudantes e de $121,00 para quem não se enquadra em nenhum programa de desconto. Com esse passe, você tem direito a usar toda a rede de transporte público da cidade, quantas vezes por dia for necessário. Ao entrar no ônibus, basta apresentar o cartão ao motorista. Sem o cartão, o custo é $3,00 a cada deslocamento. Se você vai ficar menos de um mês em Toronto, pode optar pelo passe semanal, cujo custo é de $36,00 ou de $28,00 para estudantes.

12-É verdade que os ônibus passam de 3 em 3 minutos porque as pessoas congelam se ficarem expostas ao frio por mais tempo? Não. Os horários variam conforme a linha, mas a média é de 10 minutos entre um ônibus e outro. Não é agradável ficar no frio esperando mas, se vocês estiver com roupas adequadas, não há o menor perigo de você congelar em tão pouco tempo.

13- Como devo lidar com o frio? -10 graus soa mais assustador do que realmente é. Até -15, o nosso corpo lida bem com a baixa temperatura. Manter os pés aquecidos é, provavelmente, o que há de mais importante. Recebi essa dica de uma amiga (Valeu, Dani!) e, assim que cheguei, comprei uma bota adequada para neve. É um investimento que vale a pena fazer. Não no Brasil, logicamente, mas assim que você chegar aqui: é muito mais barato e as opções são inúmeras.

Agora, uma lista de passeios interessantes em Toronto e arredores:

-Royal Ontario Museum
-CN Tower
-Casa Loma
-Bata Shoe Museum
-Art Gallery of Ontario
-Niagara Falls
-French Canada (Montreal, Ottawa, Quebec)
-Zoo
-Vaughan Mills (para compras)
-Skiing
-Parliament Building
-Ontario Science Centre

Alguns desses passeios são organizados pela própria escola. Os que são fora da cidada, como Niagara, Sky, French Canadá, são feitos por agências de turismo. Em China Town os preços são sempre mais baratos mas, eu, particularmente, acho que não vale a pena. O acompanhamento do guia é muito útil nessas atividades em que o tempo é curto e há muitas coisas pra conhecer. Então, uma pessoa falando chinês ao invés de inglês significa empobrecer o seu passeio em termos de informações.

Se você deseja saber mais sobre algum desses tópicos de que falamos, ou se tem dúvidas de outra natureza, entre em contato. Se você é intercambista, já foi ou vai ser, participe comentando, fazendo críticas e sugestões e ajudando a enriquecer esse post. Se você não quer fazer intercâmbio, mas gosta ou odeia esse blog, comente também!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

"I DON'T SPEAK ENGLISH"


Confesso que para hoje estava previsto um outro post, no qual eu pretendia continuar respondendo algumas perguntas importantes na vida de quem pretende fazer intercâmbio. Mas, ao chegar na escola, fui surpreendida por uma história realmente irresistível. Então, o post "Aos que virão - parte 2" será o nosso próximo, ok?. Nele trataremos de questões fundamentais, como dinheiro e transporte, além de passeios interessantes.

Bom, vamos aos fatos. Imaginem vocês um brasileiro de 26 anos que deixou o país de origem sem falar absolutamente NADA de inglês. Como vocês podem supor, só a viagem de vinda dessa criatura até Toronto rende um livro: sim, ele desembarcou no Canadá praticamente um profissional da mímica... Se não encrencaram com ele na imigração? Claro que não... Simplesmente "entregaram pra Deus" e deixaram ele entrar. Não adiantava perguntar nada mesmo...hehehehe. Foi, então, que, percebendo o tamanho da missão que estava por vir - pois o viajante ficará seis meses em Toronto, Deus achou melhor designar o melhor Anjo da Guarda disponível no céu naquele momento para acompanhar o cara. E o Anjo não brincou em serviço. Mandou o protegido para a mesma host family em que estava a Carol (sim, ela mesma... A nossa famosa personagem aqui do blog). Foi a salvação naquele primeiro momento. Logicamente, a regra número um de só se falar inglês dentro da casa foi quebrada logo no começo, porque nem a Carol nem os membros da família eram bons de mímica, e a necessidade de fazer o recém-chegado sobreviver falou mais alto... Reparem no uso do verbo "ser" no passado, no trecho "eram bons de mímica". Terá a família melhorado suas habilidades com a comunicação através de sinais? Não, meus caros leitores. Como vocês sabem, Carolzinha já fez o seu brilhante retorno (narrado aqui no blog) a terras brasileiras. Já a família, continua não sabendo mímica, mas não é mais a host family do protagonista de hoje. Por que não? Porque ele conseguiu ser expulso da casa, após apenas duas semanas de estadia!!! Não é incrível? O que ele fez? Convidou, por duas vezes, garotas "achadas" na boate para passar a madrugada com ele na homestay!!!... O que aconteceu após a aceitação do convite vocês podem imaginar sozinhos...hehehehe... Não tem Anjo da Guarda que aguente o tranco!

Ok. O garoto foi chamado na escola e enviado a uma nova casa na última sexta-feira. E, claro, a história não termina aqui. Na noite de sábado, ele foi pra balada, mas a boate não estava boa. Então, por volta de 2h30, ele deixou o local pra voltar pro novo lar. Ops!!!! O lar era novo!!! Sim, meus amigos, ele esqueceu o endereço!(?). Pegou um ônibus, pegou outro, mas a mesma questão o acompanhava: onde devo descer? Nesse momento, exausto que estava devido aos acontecimentos anteriores, o Anjo da Guarda dormia profundamente em uma nuvem macia do céu e, realmente, não pôde ajudar. Então, sem saber o nome de sua rua, nosso viajante rodou seis horas de ônibus. Ele conheceu toda a cidade de Toronto, de uma ponta a outra, algumas vezes, até ser convidado a se retirar o veículo. Durante esse tempo, ficou encolhido na cadeira do ônibus sem muito o que fazer, já que o motorista também não era bom de mímica e muito menos de adivinhação: sem o endereço, era impossível ajudar...

Lembro aos queridos leitores, que estamos no inverno e que a temperatura durante a madrugada é de cerca de -10 graus. Por mais que se encolhesse dentro do ônibus, o frio tomou conta e os dedos do nosso amigo começaram a congelar e a colar uns nos outros. Quando amanheceu o dia, e o metrô - e o Anjo da Guarda - voltaram a trabalhar, finalmente foi possível encontrar o caminho de casa. Ao chegar, ele ainda precisou enfrentar uma missão cabelereiro, durante a qual usou um secador de cabelo para descongelar o dedo mindinho e desgrudá-lo dos outros. Para alívio absoluto do Anjo da Guarda, o protegido dormiu durante todo o Domingo para se recuperar da aventura.

Sim, essa é uma história verídica e o personagem de hoje se chama Renato (foto): um dos maiores caras-de-pau que eu conheço mas, também, dono de uma coragem admirável.

Espero que tenham se divertido tanto quanto eu.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

AOS QUE VIRÃO

Em duas semanas deixo Toronto para voltar ao Brasil. Embora ainda tenha muita coisa pra acontecer e alguns passeios previstos, já é possível começar a responder algumas questões sobre a experiência do intercâmbio. Assim, não só satisfazemos a curiosidade da família e dos amigos sobre algumas questões-chave em viagens como essa, mas também, e principalmente, clareamos alguns pontos para quem pretende viajar.
1-Toronto é uma boa cidade para se fazer intercâmbio? Depende. Se você tem um nível de inglês básico ou não sabe nada da língua, não é um bom lugar. Por que? Porque Toronto tem um índice de imigração altíssimo. Você encontra aqui pessoas de todas as partes do mundo. Consequentemente, a gente ouve, o tempo todo, um inglês com muito sotaque e, não raramente, errado gramaticalmente, o que não é uma boa para quem está aprendendo. Por que isso acontece? A maior parte das pessoas que imigrou aprendeu a língua no uso, fora da escola. E existe um complicador: aqui, na escola fundamental, o ensino de gramática foi abolido. Ou seja, os próprios canadenses têm dificuldade com o uso padrão da língua. Uma pesquisa feita em uma universidade de Toronto mostrou que 40% dos estudantes de ensino superior não sabiam como lidar com construções gramaticais básicas, quando questionados sobre elas. Ou seja, as pessoas simplesmente falam a língua sem se preocuparem se está correto ou não.
E se meu nível de inglês é intermediário ou avançado? Aí sim pode ser interessante, porque você será muito estimulado a melhorar as habilidades de audição. Na minha primeira semana aqui, parecia que as pessoas falavam grego e não inglês. Mas, com o tempo, a gente vai aprendendo a ouvir, o que é muito importante.

2-Escolher morar com host families é a garantia de vivenciar o modo de vida canadense? Definitivamente, não. A maior parte das famílias que recebe estudantes NÃO é canadense. E Toronto tem a particularidade de permitir que os imigrantes mantenham seus antigos hábitos trazidos do país de origem. A cidade é toda dividida em áreas, como a chinesa, a italiana, a grega etc.

3-Existe um padrão para a escolha das famílias? Por incrível que pareça, NÃO. É uma questão de sorte. Existem casas que fornecem toda a infraestrutura de estudo e bem-estar e são mais flexíveis com relação a horários, banho e refeições, por exemplo. Mas há casas, e não são poucas, onde não existe qualquer tipo de abertura ou preocupação com a qualidade do que é oferecido ao estudante. Onde eu vivo, por exemplo, tenho TV, internet, quarto aquecido, mesa de estudos, banheiro individual. Mas não foi assim com a maioria das pessoas que conheci aqui. Isso quer dizer que não existe nenhum controle? Não, porque na escola preenchemos dois formulários de avaliação das famílias: um quando entramos e um quando saímos. Mas realmente não dá pra entender o que é feito com essa ficha. Fato é que, embora todos paguem o mesmo preço, nem todos podem contar com a mesma infraestrutura, o que, obviamente, não é justo.

4-E a família? Por que ela recebe estudantes? Esse é o ponto de maior decepção da maioria das pessoas com as quais eu conversei. Geralmente os estudantes vêm animados com uma possível troca cultural, esperando passeios na companhia da família etc. Era o meu caso. Mas isso é a exceção e não a regra. Vi isso acontecer? Vi. Com duas pessoas, que foram para famílias canadenses (geralmente mais abertas a esse envolvimento). Mas, geralmente, esse tipo de interação não ocorre. A família recebe estudantes como uma forma de complementar sua renda. Tem a sua própria rotina e não se envolve com a nossa. O que a gente tem que entender, é que se trata de uma outra cultura, bem diferente da do Brasil. Quase sempre, a família não faz por mal ou indiferença, mas simplesmente porque faz parte de uma outra realidade, mais fechada.

5-E as refeições? Vale a pena pagar o pacote completo de três refeições por dia? Esse é um ponto muito complicado, porque cada família lida com a alimentação de maneira diferente. O que é preciso saber é que o almoço aqui não é a refeição principal, como no Brasil. Então, é muito comum que a gente receba pão com ovo, por exemplo, como almoço (aliás, ovo é palavra proibida pra mim durante um ano depois que eu voltar pro Brasil!). É interessante trazer um dinheiro à parte, já pensando em almoçar, porque realmente faz muita falta. Quanto? Uma média de 10 dólares por dia.

6-Toronto é uma cidade barata? Não. Uma das mais caras do Canadá. As taxas aqui são altíssimas. A título de comparação, uma souvenir que custa 2 dólares em NYC, por exemplo, custa pelo menos o dobro aqui, mais as taxas.

7- E Vancouver? É uma boa? Se você vai viajar em Dezembro ou Janeiro, não. Chove praticamente todos os dias, o que atrapalha muito se você pretende explorar a cidade.

8-Vale a pena fazer o curso intensivo de inglês (30 horas semanais)? Quando a gente está no Brasil tudo o que pensamos é em aproveitar ao máximo o tempo do intercâmbio pra aprender e melhorar a língua. Mas saiba que o processo de aquisição de um outro idioma não é simples para o nosso cérebro. No início, a gente fica muito cansado, tem muito sono e dor de cabeça. Então, 6 horas de aula por dia é uma carga bastante pesada. Ao escolher o programa, vale a pena combinar aulas mais cansativas, como a de gramática, com aulas mais leves, como as de comunicação ou cinema.

9- E a escola? A ILSC é excelente. Mas 60% dos alunos são brasileiros. Outros 20% são orientais e os 20% restantes são vindos de outros países. Esses números são oficiais, ok? Isso é ruim? Depende. Dentro da escola é expressamente proibido falar português e isso pode render suspensão. Fora dela, não vou mentir, a gente acaba falando. Mas, ao mesmo tempo, quando combinamos de só falar inglês, não existe pronúncia melhor que a do brasileiro. A dos orientais é medonha!!!! Então, preferi ficar na companhia dos brasileiros e ouvir um inglês limpo e correto, sem mutações genéticas! hehehehee.
Por hoje é só. Se você já foi intercambista ou vai ser, comente, discorde, concorde, dê sua sugestão. No próximo post, uma relação dos lugares imperdíveis de Toronto!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CASA LOMA

Era uma vez o Sr. Henry, um industrial e militar muito rico, que resolveu realizar o sonho de construir um castelo medieval no topo de uma colina, de onde seria possível uma vista geral da cidade de Toronto. Com mais de 300 homens trabalhando na construção, a obra começou em 1911 e durou 3 anos. Na época, custou $3.500.000,00. Mas o Sr. Henry e sua esposa, Lady Pellat, só moraram no castelo por 10 anos, até que problemas financeiros forçaram o abandono da propriedade. Biblioteca, sala de jantar, sala de fumar, sala de servir (para café da manhã e jantares íntimos), jardim de inverno, escritório, vários quartos de hóspede, sala de bilhar, duas torres, inúmeras passagens secretas, adega, piscina, sala de exercícios, estábulo, além dos quartos dos proprietários e dos aposentos dos 40 empregados da casa. Esses são alguns dos espaços desse castelo, cuja construção foi feita com o que tinha de mais moderno na época e cuja decoração contou com móveis vindos de vários países, já que Sr. Henry era um colecionador.

No banheiro do Sr. Henry (foto), uma curiosidade: o chuveiro foi construído para cercar completamente o corpo dele com sprays de água, que saíam de 3 níveis de tubulação.
Uma coisa interessante é que o casal possuía quartos separados... Será que era por isso que os casamentos duravam a vida inteira? (hehehe...brincadeirinha...)
Ao redor do castelo foi construído um jardim de mais de 24.000m², com inúmeras espécies de plantas. O Sr. Henry era um aficionado por jardinagem: ganhou vários prêmios por suas orquídeas e crisântemos.

Hoje a Casa Loma, nome dado ao castelo, é propriedade da Cidade de Toronto e um dos pontos turísticos mais famosos daqui. Nós fomos conferir!

sábado, 30 de janeiro de 2010

TORONTO MUITO ABAIXO DE ZERO


A temperatura vem caindo drasticamente aqui em Toronto nos últimos dias. Na madrugada de quinta, os termômetros marcaram -20 graus. Ontem, às 10h00, -14 graus (foto) era a temperatura no centro da cidade e ventava muito. Ou seja, está complicado andar na rua e fazer passeios ao ar livre. A ventania fez meu ouvido sentir, mesmo andando com o protetor..

Mas, tirando a dorzinha no ouvido e a preguiça que esse frio todo dá, a queda da temperatura foi acompanhada de boas notícias pra mim. Recebemos como tarefa de final de curso (cada módulo dura 1 mês) fazer uma simulação de uma feira de turismo, em que cada dupla precisaria escolher um destino, montar um pacote turístico e vendê-lo aos visitantes da feira. Eu e a Manu escolhemos NYC e ganhamos a disputa! Foi bacana. Também fiquei feliz com a entrega de resultados. Os comentários da minha professora preferida, a Katrin (foto), no meu boletim me deixaram muito satisfeita e emocionada. Pela primeira vez na vida, eu tive vontade de realmente aprender inglês. Loucura isso, ?... Estou cansada de saber que inglês não é uma escolha, mas uma necessidade etc etc etc... Mas eu nunca consegui gostar do idioma realmente... Ontem, o que ela me escreveu ascendeu alguma coisa abandonada dentro de mim... Um bom professor é quase uma mago, um mágico, um encantador, mergulhado na tarefa de fazer a gente descobrir as coisas ou, quem sabe, se descobrir.. Te devo essa, Katrin!

Eu e a Carol continuamos a nossa tarefa de explorar a cidade. Fomos no Bata Shoe Museum (um Museu só de sapato!), que é fantástico, e também na "Little Italy". Os índices de imigração aqui em Toronto são altíssimos. Tem gente de tudo quando é parte do mundo. Então, a cidade tem muitas áreas com o nome de diferentes países, que acabam se tornando um ponto referência cultural, principalmente gastronômica: existe a Pequena Itália, a Cidade Chinesa, a Cidade Grega etc. Quinta-feira fomos conhecer a área italiana. Não andamos muito por lá porque o frio realmente não permitiu. Mas, logicamente, jantamos em um dos restaurantes charmosos da rua principal: comi uma pizza de pesto (meu molho preferido!) e uma torta de chocolate com sorvete de baunilha! ...Haja academia depois!

Novidades no flickr: Montreal, Ottawa, Quebec, Bata Shoe Museum, escola, loja de brinquedos (mãe, fotografei a loja pra você!)..

PS: Ao meu avô, que tem 86 anos e anda muito preocupado comigo, um beijo especial. Estou bem, viu ! Daqui a pouco chego aí de volta pra te contar meus casos engraçados! Te amo!

Bjo a todos. Saudades.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

NEVE. AGAIN?

A alegria durou pouco: começou a nevar novamente. Acabo de chegar em casa branca de gelo... Pelo menos não está ventando, porque cada vez que o vento resolve mostrar sua força eu tenho a impressão de que meu peso não é suficiente para me manter no chão... Em NYC eu tive uma quase experiência de vôo livre. Mais um pouco de vento e eu faria um tour aéreo pela cidade...
Por falar em nevar, me lembrei do mico do ano que eu paguei em NYC: primeiro dia de neve e vai a Luiza pra rua com a capa de chuva "made in Brazil" debaixo do braço. O que aconteceu? A capa congelou e virou uma tábua... Logicamente, não tinha jeito de vestir nem de dobrar direito, e a capa parecia ter triplicado de volume... afff... Volto eu pro hotel pra deixar aquela "coisa" estendida na cama...
Aliás, vocês devem ter percebido que o que não falta é mico pra contar, né? Em matéria de histórias engraçadas, estamos nos dando bem... Os meninos já passaram pela fase de ensinar coisas erradas aos japoneses que estudam com a gente (o Andrew fez um japa se apresentar para uma garota dizendo: "Olá! Eu sou boiola!"..hehehehe). E nós já perdemos a conta de quantas vezes respondemos "yes" para perguntas que não entendemos: se o povo fala e a gente não entende, mandamos logo um "yes". Nem sempre dá certo e muitas vezes as pessoas ficam olhando pra gente como quem pergunta "vocês são malucos?", diante das nossas respostas sem nexo. Mas aos poucos a habilidade de ouvir vai melhorando, principalmente para reconhecer as contrações de palavras e frases.
Desci pra jantar agora e nosso time de estudantes na casa aumentou. Agora somos 5: dois venezuelanos, uma mexicana, uma brasileira (EU!) e uma japonesa (a mais nova moradora!)
Fico por aqui porque tenho uma pilha de homework pra fazer...afffff...
See you.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

TORONTO A PÉ

Hoje eu e a Carol resolvemos explorar o centro comercial da cidade a pé, já que a temperatura de +4 graus nos permitia fazer isso sem grande esforço físico. Na verdade, pretendíamos uma visita a CN Tower, uma torre da qual é possível uma vista geral da cidade, mas havia muita neblina e o dia estava feio. É muito interessante a harmonia na arquitetura de Toronto entre construções antigas e as edificações modernas, feitas principalmente de vidro. O contraste entre o novo e o antigo, contracenando de maneira respeitosa é, realmente, um presente aos olhos de quem transita por aqui. Olhem só o centro comercial de Toronto, onde estão sediadas as principais empresas da cidade e os principais teatros. A escola em que estou estudando fica nessa área.
Pelo que percebemos, Domingo é um dia da semana em que, independente do país em que a gente esteja, o mundo gosta de andar mais devagar, dormir mais cedo. Por isso, as lojas, museus e outras atrações fecham bem antes do que os turistas gostariam. Eu e a Carol, sem muitas opções de lazer depois da 18h00, decidimos que também daríamos um presente ao nosso paladar: fomos jantar no Red Lobster, um restaurante de frutos do mar. Nossa! Só não tirei foto do prato porque seria muito mico... heheheh... Uma comidinha de verdade faz muuuuiiita falta. Viver a base de lanche não é bom. Comi camarão atéééé. Alice, mãe, Dindos e Vô Jayme, como eu lembrei de vocês!
PS: quem foi alvo de risadas hoje fui eu: recebi uma cantada no metrô! Cantada péeeessima por sinal...Tinha que ser comigo...

domingo, 17 de janeiro de 2010

SKY: voltei inteira!

Senhoras e senhores, o sábado foi de estréia! Eu e Carol (de Curitiba) fomos para uma estação de sky e snow que fica perto de Toronto e, tenho que dizer, me saí muito bem... Eu e Carol costumamos ter umas ideias meio "programa de índio" e, confesso, achamos que estávamos caindo em mais uma furada quando, no ônibus, durante a ida, o monitor que nos acompanhava nos entregou um termo de compromisso em que devíamos assumir as responsabilidades sobre um eventual acidente e, pasmem, uma possível morte... Sureal!!! Nesse momento já rolou aquela entreolhada básica que, essencialmente, significava um PQP! do tamanho do mundo... heheheh. Mas... Resolvemos prosseguir... Chegando na estação e, após nos vestirmos, a primeira cena que vimos foi a de uma ambulância (leia-se, um carrinho de andar na neve que toca uma sirene) puxando um corpo todo enrolado. Não sabemos se estava morto ou vivo, mas foi o suficiente para mais uma entreolhada e mais um PQP! xingado mentalmente...
Era a nossa vez de tentar... Tivemos uma aulinha tosca com um monitor. Resultado: na primeira descida, a Carol teve a manha de "encoxar" um japonês... Como eu queria ter filmado aquela cena! ela desceu no embalo, não conseguiu frear, e pegou o cara pelas costas... Quase morri de rir! Prosseguimos com um tombo e com um capotamento da Carol, que eu não vi porque estava descendo ao mesmo tempo que ela... Mas ela está inteira!! hehehehhehe...
Por incrível que pareça e, ao contrário do que eu podia imaginar, não sofri nem uma queda. Após duas descidas na pista de treinamento troquei para uma mais íngreme... Acho que se eu morasse aqui seria uma grande atleta do sky. O snow eu não pude experimentar, não só porque eu não estava afim de tentar suicídio, mas porque precisávamos escolher somente um esporte e meu instinto de sobrevivência me mandou ficar com o sky.
Terminamos o dia inteiras e satisfeitas com o nosso desempenho. Se você quiser espiar esse momento aventura, entre aqui!
Bjo
Saudades, Brasil!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

TORONTO - PRIMEIRO SINAL DE VIDA

Depois de dois dias tendo que me agarrar ao poste pra não levantar vôo em NYC, cheguei a Toronto. Foi tenso e achei que eu não embarcaria. Adivinhem? Overbook!!!! Foi a primeira vez que eu realmente tive medo desde que viajei... Mas fiz um drama com a mulher da American Airlines e embarquei!
Em Toronto está muuuuuiiiiitooo frio! ...Bem mais que em NYC. Estamos ao redor de -15 graus...osso...
Minha familia me recebeu bem e estou super bem acomodada. Na mesma casa, há um menino e duas meninas, uma mexicana e uma venezuelana... mas cada um em seu quarto! (CALMA MOMMY!). Como neva demais, ainda não foi possivel perceber a beleza da cidade... pra falar a verdade, achei bem feia por enquanto.. hhehehhehehe
Nunca vi tanto brasileiro por metro quadrado como aqui na escola...socorro!!! tem que ficar esperto pra não falar português... Hoje não estou tendo aula: fiz apenas provas de nivelamento e, como era de se esperar, fui mal na de gramática...
O primeiro dia é sempre tenso, mas hei de me encontrar em breve...
See you.
Luiza

domingo, 20 de dezembro de 2009

DE MALAS PRONTAS

Até pra sonhar é preciso coragem. Tenho descoberto isso nos últimos meses, quando sementes há muito tempo cultivadas começaram a dar frutos e meu intercâmbio a se tornar realidade. No próximo domingo embarco rumo a Nova York e, depois, ao Canadá. Embora uma viagem dessas não nasça de um dia para o outro e eu esteja pensando nela há um bom tempo, as últimas semanas têm sido de ansiedade e nervosismo permanentes. Ando com borboletas no estômago, como uma menina apaixonada mas, agora, pela ideia de descobrir o mundo.


Na mala de um viajante de primeira viagem, tudo é dúvida. Até sobre o que parece mais simples e óbvio, conseguimos produzir algum tipo de ressalva, sempre criando sentenças condicionais, começadas com " e se..." e terminadas na decisão de criar um "plano B" pra tudo. Instinto de sobrevivência, será? Acho que não, ?! Tá mais fácil ser instinto de publicitária viciada em planejamento... hehehehe


E, é claro, a minha ansiedade transbordante andou molhando os que estão ao redor: os primeiros a levarem o banho foram meus pais. Então, mesmo que eu vá embarcar sozinha, tenho certeza de que os próximos dois meses serão de viagens imaginárias para muitas pessoas que dividiram esse sonho comigo de alguma forma, dando dicas, escolhendo destinos, comprando ingressos, me dando guias, me preparando para a neve. Portanto, em vocês, sempre tão dispostos a me empurrar pra frente, faço um carinho, transformando esse blog em um diário de viagem pra que, de alguma forma, seja possível COMPARTILHAR o que vou ver, sentir, viver. Mãe, pai, Alice, Ni, Mili, Dani, Tia Andreia, Tio Wellington, Amanda, Dindo, Dinda, Hellyd, Flávia, Marquinhos e todos aqueles que quiserem chegar e acompanhar, vocês acabaram de ganhar o visto!