
Fazer aniversário fora de casa, longe do colinho e do abraço quente daqueles que nós amamos não é, a princípio, lá muito bom. Hoje, estou passando por essa experiência aqui em Toronto: 24 anos. Puts! Quase um quarto de século!... É a idade chegando! heheheh
Mas o dia 18 de Fevereiro de 2010, que começou sem grandes expectativas, me reservou bonitas surpresas e, confesso, vai terminar com um gostinho especial de quem pôde festejar e experimentar o carinho das pessoas de uma maneira nova.
Tem um frase, de que eu gosto muito (acho que de uma música do Caetano Veloso), que diz que "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...". Hoje me lembrei muito dela ao pensar sobre como as pessoas experimentam o amor, o carinho ou qualquer sentimento que seja, de maneira diferente mas, nem por isso, menos tocante, menos digna, menos significativa. Achei bonito a maneira que a Sofia, minha host mother, encontrou de me fazer "importante" nesse dia de hoje e de me dizer que eu vou deixar alguma marquinha aqui quando eu for embora.
Logo no café da manhã, quando entrei na cozinha, no pacote em que estava meu almoço havia também um guardanapo, estampado com um sorriso e o desejo de um feliz aniversário. À tarde, quando cheguei em casa, Sofia me deu um abraço tímido, daqueles em que os corpos quase não se encontram, disse que eu sou uma garota especial e que cozinharia spaghetti no jantar, porque, na China, é o desejo de que nossa vida seja longa, assim como cada um dos fios da massa. Após o jantar, uma surpresa: um bolo, com meu nome - aqui no Canadá as pessoas só me chamam de Maria. Em casa, sou a Maria B, de Brasil, porque há uma outra Maria, da Venezuela. E também ganhei um cartão, com uma mensagem de cada uma das pessoas que mora comigo: agora somos 8! Ontem chegou mais uma, vinda da Guatemala.
Ao voltar pro meu quarto, outra pequena grata surpresa: Hiroko, que chegou há apenas uma semana do Japão e que é uma doçura de pessoa, bateu na minha porta com um sorriso tímido e um inglês igualmente acanhado, me trazendo presentes de aniversário. Me emocionei. Meu aniversário estava completo. Não tive vontade de comparar. Não precisei fazer sentenças condicionais do tipo "se eu estivesse no Brasil, meu aniversário...", porque tudo o que importou no dia de hoje é que eu pude ver que cada um estava fazendo o melhor que podia naquele momento para me aquecer e fazer o meu aniversário mais alegre.
Do Brasil também vieram palavras especiais. Mãe, pai, vô, tia, namorado, amigos amados da EMC2, Carolzinha, Dindo e Dinda, Renato. Obrigada por terem feito o carinho de vocês chegar até mim. Chegou, e me aqueceu: hoje o frio de Toronto não foi nada!